cover
Tocando Agora:

Descubra os cuidados que fazem a diferença para vacas e bezerros antes do parto

Terço final da gestação exige atenção especial quanto à alimentação, à sanidade e ao comportamento das matrizes; novilhas que terão a primeira cria precisam de acompanhamento redobrado

Descubra os cuidados que fazem a diferença para vacas e bezerros antes do parto
Divulgação/CATI

Divulgação/CATI


Embora o parto dure menos de uma hora, o nascimento de um bezerro saudável requer cuidados que começam muito antes, especialmente nos últimos 100 dias. É no terço final da gestação que o feto apresenta seu maior crescimento, período em que a matriz precisa de atenção especial quanto à alimentação, à sanidade e às condições de manejo. Esse acompanhamento também permite ao produtor identificar possíveis dificuldades e evitar intervenções desnecessárias durante o nascimento.

 Segundo o médico-veterinário da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Braz Costa de Oliveira Junior, os cuidados básicos no pré-parto valem para todas as raças, sejam zebuínos, taurinos ou mestiços, e o planejamento dessa fase começa por coisas simples, mas essenciais, como a oferta de alimento de qualidade, água e suplementação mineral adequada.

 Em sistemas de produção de gado de corte baseados em pastagens, o cuidado com a alimentação começa pela boa oferta de água e forragem, além de manter a suplementação disponível continuamente. “A alimentação deve estar à disposição das matrizes durante todo o período, sem restrições”, recomenda Braz.


 A criação de um piquete específico para as vacas próximas do parto, também conhecido como piquete-maternidade, permite maior controle e facilita a limpeza do ambiente. Isso minimiza o risco de infecções e favorece práticas como a cura do umbigo e a ingestão do colostro, que é o primeiro leite produzido após o nascimento. Além disso, a separação do rebanho reduz o estresse causado por atritos e disputas hierárquicas entre os animais. Esse local deve ser organizado próximo ao curral. A proximidade facilita, ainda, a observação dos animais e permite intervenções mais rápidas, caso alguma dificuldade apareça.


Sinais no pré-parto


 Mudanças no comportamento e na aparência das matrizes indicam que o parto se aproxima. Nos dias que antecedem o nascimento, o úbere começa a acumular leite e a vulva fica mais inchada. Já no momento do parto, a vaca tende a se afastar do restante do rebanho, alternando movimentos de levantar e deitar, até iniciar os esforços para a expulsão do bezerro.

 A recomendação é acompanhar esses sinais com atenção, mas sem se aproximar excessivamente do animal. O parto é um momento naturalmente estressante, e a presença constante de pessoas pode aumentar o desconforto da matriz.

 Após o rompimento da bolsa, começa a fase de expulsão do feto. De acordo com Braz, em condições normais, o processo deve ocorrer em aproximadamente 40 minutos. Se esse tempo for ultrapassado, é preciso observar com mais cuidado a evolução do nascimento e verificar se há sinais de dificuldade.

 A orientação é evitar intervenções precipitadas. Nem todo parto exige ajuda humana, e a tentativa de auxiliar sem necessidade pode, em vez de ajudar, atrapalhar um processo que ocorreria naturalmente. Quando houver indícios de dificuldade, a assistência deve ser feita por uma pessoa capacitada, preferencialmente com acompanhamento de um médico-veterinário.

Cuidados com primíparas

 Entre as matrizes, as primíparas – novilhas que terão a primeira cria – merecem acompanhamento especial. Ao contrário das vacas que já passaram por outros partos, as novilhas ainda estão vivendo essa experiência pela primeira vez e precisam de um olhar mais atento do produtor. Por isso, a separação dos animais por categoria, mantendo novilhas e vacas multíparas, que já tiveram mais de um parto, em grupos distintos, ajuda a direcionar a atenção da equipe às fêmeas que mais precisam de acompanhamento, conforme explica o veterinário.

 Ao se considerar o avanço da precocidade nos rebanhos, a importância dessa organização de manejo fica ainda mais evidente. O melhoramento genético e a seleção de características produtivas permitiram antecipar a idade ao primeiro parto. Atualmente, há fêmeas parindo entre 18 e 20 meses, enquanto em sistemas anteriores esse primeiro nascimento ocorria por volta dos 36 meses. Essa antecipação representa um ganho para a produção, ao permitir que a matriz inicie sua vida reprodutiva mais cedo e tenha potencial para produzir mais bezerros ao longo da vida; por outro lado, exige atenção às condições de desenvolvimento e ao manejo dessas fêmeas ainda jovens.

 “Como se trata de um animal muito jovem, ele é inexperiente. Por ser novilha, devemos ter esse cuidado redobrado”, explica Braz, que é chefe da divisão de produção da CATI na Fazenda Ataliba Leonel, em Manduri (SP), e está à frente do Programa de Melhoramento Genético do Nelore Mocho.

 O acompanhamento da gestação também ajuda a organizar o manejo das matrizes. Quando o produtor mantém registros das datas de inseminação, consegue estimar com maior precisão o período de nascimento dos bezerros e identificar gestações que estejam ultrapassando o tempo esperado. Nas propriedades em que a reprodução ocorre por monta natural, com o touro permanecendo junto às vacas, esse controle pode ser menos preciso. Ainda assim, o diagnóstico de gestação realizado por profissional qualificado permite estimar a idade gestacional e planejar a separação dos animais em lotes, o que facilitará os cuidados no período pré-parto.

 Outro ponto-chave para uma boa preparação pré-parto é a sanidade. As matrizes devem chegar ao final da gestação com o protocolo de vacinação em dia, especialmente contra as principais doenças reprodutivas. Além de proteger a vaca, os cuidados sanitários contribuem para a qualidade do colostro, rico em anticorpos que ajudam a proteger o bezerro nos primeiros dias de vida.

 Esse planejamento deve incluir também os cuidados básicos com o recém-nascido, para que a equipe esteja preparada para agir logo após o parto, quando necessário. Com todas essas dicas sendo seguidas, fica mais fácil garantir que a vaca passe por esse momento com tranquilidade e que o bezerro chegue ao mundo saudável, pronto para dar seus primeiros passos e trotes ao lado da mãe.

Assista à entrevista completa de Braz Costa de Oliveira Junior ao PodCATI


Comentários (0)