Etanol sobe até 11,5% e açúcar acumula maior sequência de altas desde 2020
Chuvas reduzem a produção de etanol e atrasam a colheita de cana-de-açúcar, enquanto demanda aquecida e valorização do dólar
Por Canal Rural
Os preços do etanol e do açúcar registraram alta no mercado paulista em outubro, impulsionados pela menor oferta, pelas chuvas que prejudicaram as atividades das usinas e pelo aquecimento da demanda. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o etanol anidro acumulou valorização de 11,52% no mês, enquanto o açúcar cristal completou 15 semanas consecutivas de alta, a maior sequência desde 2020.
No mercado de etanol, a média de preços do hidratado, utilizado diretamente no abastecimento de veículos, foi de R$ 2,7200 por litro nas semanas completas de outubro, avanço de 7,9% em relação a setembro.
Já o etanol anidro, misturado à gasolina, registrou preço médio de R$ 3,2326 por litro no mercado spot, com valorização de 11,52% na mesma comparação.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a elevação dos preços foi sustentada pela combinação entre maior procura pelo biocombustível e redução da disponibilidade do produto.
As chuvas frequentes diminuíram o número de dias de produção nas unidades industriais, limitando a oferta e reduzindo os estoques. O cenário também gera preocupação entre os agentes do setor quanto ao andamento da moagem de cana-de-açúcar, que continua sujeita a interrupções provocadas pelas condições climáticas.
Vendas de etanol hidratado atingem maior volume desde janeiro de 2024
O levantamento do Cepea também aponta crescimento expressivo nas vendas de etanol hidratado pelas usinas paulistas.
Entre setembro e outubro, o volume comercializado aumentou 30,8%, ultrapassando 380 milhões de litros. Trata-se da maior quantidade negociada desde janeiro de 2024.
O desempenho reforça o aquecimento da demanda pelo biocombustível no mercado paulista, em um momento de oferta mais restrita.
Em contrapartida, as vendas de etanol anidro no mercado spot recuaram 10,5% no mesmo período.
Açúcar completa 15 semanas de valorização
No mercado de açúcar, a valorização do dólar frente ao real intensificou a alta das cotações na última semana de outubro.
Entre os dias 26 e 30, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, com cor Icumsa de 130 a 180, registrou média de R$ 128,57 por saca de 50 quilos no mercado paulista.
O valor representa aumento de 2,34% em relação à semana anterior, quando a média havia sido de R$ 125,63 por saca.
Com esse resultado, o açúcar cristal completou 15 semanas consecutivas de valorização, a sequência mais longa de altas semanais desde 2020.
Na quinta-feira (29), o indicador chegou a R$ 129,97 por saca, maior cotação registrada desde junho de 2025.
Segundo pesquisadores do Cepea, embora a valorização do dólar tenha intensificado o movimento de alta no curto prazo, a oferta restrita continua sendo um dos principais fatores de sustentação dos preços.
As chuvas persistentes têm atrasado a colheita de cana-de-açúcar, limitando a disponibilidade da matéria-prima para processamento.
Dessa forma, as condições climáticas continuam influenciando tanto o mercado de açúcar quanto o de etanol, ao restringirem o ritmo das atividades industriais e a oferta dos produtos.
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