Etanol ganha competitividade com queda nos preços
A movimentação também aparece em outros mercados
Agrolink
A relação de preços entre etanol e gasolina voltou a favorecer o biocombustível em várias regiões do país, em meio ao aumento da oferta e à necessidade de estimular o consumo. Segundo análise de Marcos Rubin, estrategista de dados para o agronegócio, com dados da ANP, o movimento já era esperado desde o ano passado e ganhou força em 2026.
A pressão sobre as cotações veio da combinação de novas usinas de etanol de milho entrando em operação e de uma safra de cana mais direcionada ao álcool do que ao açúcar. Com maior disponibilidade do produto, o ajuste de preços passou a ser o principal mecanismo para ampliar a atratividade do etanol hidratado diante da gasolina.
O indicador acompanhado compara o preço dos dois combustíveis ao consumidor e usa a linha de 70% como referência de paridade. Valores abaixo desse nível sugerem maior competitividade do etanol. Em São Paulo, a relação caiu de forma acentuada em 2026 e chegou a níveis próximos de 50% do preço da gasolina, segundo a avaliação.
A movimentação também aparece em outros mercados. Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina se aproximam ou passam a operar perto da referência de 70%, enquanto a análise aponta comportamento semelhante em boa parte do Nordeste. No Sul e no Sudeste, o gráfico mostra trajetórias distintas entre os estados, mas com recuo relevante em diferentes pontos ao longo de 2026.
A resposta do consumo, porém, não depende apenas do preço. A presença de veículos que não são flex, a confiança dos motoristas no etanol e o hábito de abastecimento podem limitar a mudança. Na leitura de Rubin, a oferta já provocou ajuste nas bombas, enquanto a demanda ainda precisa reagir à nova relação de preços.
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