Vacas viram tokens e ampliam acesso ao crédito
A experiência com vacas leiteiras é apresentada como inédita no mundo
Agolink
A dificuldade de acesso ao crédito tem levado produtores rurais a buscar novas formas de usar ativos do campo como garantia. Uma iniciativa no Paraná passou a transformar vacas leiteiras em tokens digitais registrados em blockchain, criando uma alternativa de financiamento diante das restrições bancárias enfrentadas por pequenos negócios agropecuários.
O modelo converte cada animal, um ativo real e tangível, em uma representação digital associada a um código único. As vacas recebem coleiras com inteligência artificial, capazes de acompanhar localização, comportamento e condições de saúde em tempo real. Com esse monitoramento, os tokens podem ser negociados e utilizados como garantia para empréstimos.
A tecnologia é operada pela Cowmed, empresa brasileira de tecnologia agrícola que monitora mais de 100 mil vacas. Na primeira etapa do projeto, dez animais tokenizados permitiram liberar cerca de US$ 20 mil em crédito aos produtores. A empresa estima que, com a ampliação do sistema, aproximadamente 20% do rebanho acompanhado, avaliado em US$ 395 milhões, poderá ser tokenizado. O movimento teria potencial para destravar mais de US$ 77 milhões em crédito aos pecuaristas.
A experiência com vacas leiteiras é apresentada como inédita no mundo e mostra como a tokenização começa a avançar além de ações, títulos e outros instrumentos financeiros. A lógica é representar bens reais em ambiente digital para facilitar sua negociação, financiamento e gestão.
O interesse por esse mercado tem crescido. Uma pesquisa com 200 empresas financeiras da América do Norte indicou que 84% tratam a tokenização como prioridade estratégica. Segundo estimativas da McKinsey & Company, o valor dos ativos tokenizados pode chegar a US$ 4 trilhões até 2030, ante cerca de US$ 36 bilhões atualmente.
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