Safra de oliva pode ser recorde no Rio Grande do Sul
RS projeta recuperação do azeite em 2026
Agrolink
A safra de olivas 2025/26 no Rio Grande do Sul deve marcar a recuperação da produção de azeite de oliva no Estado, com possibilidade de alcançar níveis recordes. A avaliação é do extensionista da Emater/RS-Ascar, Antônio Borba, que pondera que os resultados definitivos dependem do encerramento da colheita. “Espera-se uma excelente safra, mas somente depois de colhida poderemos afirmar a magnitude da produção e da produtividade, e o quanto isso vai resultar em litros de azeite de oliva produzido no RS”, afirma.
De acordo com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, o Rio Grande do Sul responde por cerca de 75% da produção nacional de azeite de oliva, com mais de 6 mil hectares cultivados em mais de 110 municípios, principalmente na Metade Sul do Estado.
A perspectiva positiva está associada às condições climáticas ao longo do ciclo produtivo. Segundo Borba, o inverno de 2025 registrou número adequado de horas de frio, essencial para o desenvolvimento das oliveiras, enquanto a primavera apresentou volumes de chuva dentro da normalidade. “Uma primavera sem grandes volumes de chuva permitiu uma boa polinização dos olivais. Como a polinização das oliveiras se dá pelo vento, essas condições possibilitaram que o pólen circulasse pelos pomares, resultando em excelente polinização”, explica.
O comportamento do clima durante o verão também contribuiu para o desempenho da safra, com distribuição regular das chuvas, favorecendo o desenvolvimento dos frutos e o potencial produtivo dos olivais. O cenário garantiu condições adequadas ao longo do ciclo, permitindo evolução consistente das lavouras.
Além do clima, o avanço da idade produtiva dos pomares também influencia o resultado esperado. Com mais áreas entrando em produção, cresce a possibilidade de uma safra histórica. Nos últimos anos, a olivicultura gaúcha registrou oscilações. Em 2022/2023, a produção superou 580 mil litros, enquanto em 2023/2024 houve redução de 73%, atribuída ao excesso de chuvas durante a floração.
Na sequência, a safra 2024/2025 manteve volumes reduzidos, passando de 580.228 litros em 2023 para 193.150 litros em 2024. Em 2025, a produção foi de 190,3 mil litros, consolidando um período de baixa antes da recuperação projetada.
Segundo o extensionista, a produtividade está diretamente ligada à quantidade e à qualidade dos frutos, além da idade dos pomares e das condições climáticas. “Quanto maior a quantidade de frutos e melhor sua qualidade, maiores serão o volume e a qualidade do azeite produzido”, ressalta Borba.
A produção de azeite extravirgem exige, em média, entre cinco e dez quilos de azeitonas para cada litro. A partir do quarto ou quinto ano, os pomares podem atingir cerca de cinco toneladas por hectare, com rendimento entre mil e 1.600 litros por hectare. O ponto de colheita também influencia o produto final, já que as azeitonas são colhidas ainda verdes, o que resulta em azeites com maior teor de polifenóis e características específicas de sabor.
Entre os municípios que se destacam na produção estão Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé, Caçapava do Sul, Santana do Livramento, São Sepé e São Gabriel. Em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a atividade ligada ao olivoturismo projeta aumento da produção em 2026, enquanto Cruz Alta registra expansão de áreas com novos plantios.
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